domingo, 14 de abril de 2024

Um Milésimo de Segundo

           O dia começa normal, aquela pregiça de sair da cama, o despertador gritando na orelha às seis horas em ponto (até por que quando estamos mais cansados ele não toca, ele grita), os primeiros raios de sol já circulam pelo quarto desenhando sombras nas paredes, sombras movimentadas pelos ventos que do outro lado da rua chacoalham as folhas dos pequenos arbustos gerando uma projeção grandiosa nas paredes brancas com as tintas já manchadas pelos anos e de repente em um pulo sem medo de ser feliz você se levanta, mas antes alguns poucos segundos, está sentando à beira da cama com as mãos no rosto para se recompor de um sono pesado e um leve estralo nas costas como se o corpo precisasse se reencaixar, tendo sido desmontado no dia anterior. Levantando, dirige-se ao banheiro, onde faz as primeiras necessidades ou o famoso "xixizinho" e então já aproveita ao lavar as mãos e joga uma boa quantia de água no rosto. Esse foi o começo e também o início de um fim.

          Alguns segundos depois do banheiro já se dirige até a cozinha quando um leve mal estar acessa seu peito, aparentemente por algo comido na noite passada que era uma sexta-feira e o álcool foi um alívio para o início de um fim de semana, então você para, respira, sente que aquilo não passou de uma bobagem e mantêm-se dirigindo para a cozinha, quando ao sentir uma dor um pouco mais forte acompanhada de um mal estar maior, para de novo... dessa vez gotículas de suor aparecem em sua testa e seu corpo desequilibra, um leve formigamento no braço e as pernas bambas, sim, tudo não está realmente tão normal quanto você achava e o pior, você está sozinho(a) em casa e isso aumenta em níveis absurdos o medo do que pode estar acontecendo, mas insistentemente como sempre, tenta se manter e vai até a cozinha, coloca água na chaleira, ascende o fogão e começa o restante dos preparativos para o café matinal normal. Aqueles minutos perdidos logo ali sendo colocados como inuteis por conta da noite anterior foram preciosos, pois seriam a salvação dessa vida, mas foram esquecidos quando o cérebro forçadamente assimilou que não era nada e a vida continuou.

          A primeira hora se passou, o café foi tomado, um café forte juntamente com um pão francês feito na frigideira com manteiga, aquele pão que você aperta e a casquinha dele estrala no ouvidos juntamente com a chama de estar quente levantando e chegando até seu olfato sinta aquele cheiro que se torna gosto, aquele odor maravilhoso que representa perfeitamente o começo de mais um dia. Café da manhã tomado, dor cessada, tudo está bem, controle da TV em mãos, então, ligá-la é um procedimento normal; sentou-se à sua frente, repousou seu corpo entre duas almofadas para que o conforto fosse maior e por ali ficou. Passadas aproximadamente mais uma hora o mal estar voltou com mais força, sentindo suas veias pulsarem, um suor frio descendo na testa e pela região abdminal, acompanhados dessa vez de uma dor super forte do lado esquerdo do peito, mas dessa vez em uma proporção diferente do que foi a primeira e eliminando qualquer força para uma reação de correr ou de gitar alguém, o corpo se errijeceu, os sentidos foram-se perdendo e de repente uma forte escuridão tomou conta de tudo. Com os olhos escuros e um silêncio extremamente absurdo tomando conta de todo seu corpo, os batimentos cardíacos mais lentos eram ouvidos perfeitamente cada vez mais lentos, como uma vela chegando ao fim já toda derretida e sua chama quase apagada e a dor já fora tão grande que em breve momento sentiu seu corpo estabilizar tudo aquilo e em um piscar de olhos a chama se apagou e tudo se acabou no alento de uma dor finalizada e todos os sentidos se aliviando como se uma chave geral tivesse acabado de desligar tudo e ponto, seu corpo errijecido se soltando de tudo aquilo, como se relaxado por um instante e de repente tudo calou-se, sua vitalidade, energia, bom humor, mal humor, generosidade, arrogância... tudo não passou de um corpo no sofá estendido esperando o amanhã para que fosse encontrado ou lembrado.

          Como os minutos que aqui passamos são importantes e muitas vezes não os percebemos, os dias passam por nossa cabeça, desperdiçamos bons momentos, boas palavras, bons amigos e tudo isso pra quê? No fim das contas nem as lembranças são levadas, mas elas com certeza ficam pelas pessoas que te amaram. Se preocupe menos, sofra menos, seja mais você, não seja arrogante, prepotente, resgate aquela alma que sua mãe colocou no mundo e pegue a essência de todo o começo, para que o fim não seja uma tragédia, mas sim, um suposto recomeço, já que certeza não possuímos de nada, mas apenas resgate sua fé, afinal, o tempo pode ser seu grande aliado, se você estiver aliado com o mesmo, mas também pode ser seu grande inimigo se nem de você, você estiver sendo seu grande aliado.



                                                          Fonte imagem: https://www.bombombooks.com.br/

Nenhum comentário:

Postar um comentário