terça-feira, 16 de abril de 2024

Dias Vazios

           Amanheceu um novo dia, você teve relativamente uma boa noite de sono, mas que aparentemente com fantasmas não deixando que a noite fosse concluída como o corpo merecia, enfim, o sol já lançou seus primeiros raios e o despertador já tocou seus primeiros acordes, é hora de se levantar, se exercitar, tomar um bom café, um banho e iniciar mais um longo e próspero dia.

          Algumas vezes levantamos bem para o dia, mas parece que o dia não nos ilumina como gostaríamos para de alguma forma brilharmos; somos pessoas sonhadoras, queremos que coisas novas aconteçam e tentamos fugir do marasmo, mas parece que alguns dias mais cinzas gostam de se cruzar com nosso psicológico nada preparado para o mesmo e nossa cabeça se torna um vazio com uma expressão na face sem sentido. Não posso descrever que isso é uma depressão, mas também não é algo normal, pois a energia do corpo já abaixou o suficiente para não mais acreditarmos que esse dia fará sucesso.

          A tentativa de estar feliz, dá a impressão que passamos uma falsidade transmitida no óbvio para aqueles que nos cercam, afinal esses são impossíveis de enganar e nossa expressão diz tudo para quem nos conhece. Esses dias em especial o corpo fica pesado, os sentimentos ficam alheios e nada parece fazer sentido. Não sei o que se passa na cabeça de uma pessoa depressiva e por isso é impossível saber se estamos nesse caminho. 

          O ano de 2023 terminou de uma forma trágica, ou melhor, começou de uma forma trágica e terminou meio que sem sentido. Estamos na luta para que 2024 seja de mudança, alegrias, realizações, mas tem horas que mesmo aquele que acredita piamente, por vezes tem sua chama apagada e não acredita de verdade nem nele mesmo. Hoje me sinto estranho, mas não em uma escuridão, pois comecei bem meu dia, mas essa variação nas pequenas horas dele, me derrubam um pouco, mas sei também que é passageiro e estarei melhor mais tarde, porém acho que não estou no meu melhor momento de realizações e felicidades, estou apenas neutro e sem emoções aparentes. 

           Em uma conclusão, esse texto parece um desabafo e de certa forma é... mas um desabafo sem sentido, com palavras lançadas ao ar, numa tentativa de entendimento próprio. Acho que termino aqui, pois não tenho muito o que acrescentar, é apenas isso.

                                                               Fonte: https://www.cineset.com.br/

domingo, 14 de abril de 2024

Um Milésimo de Segundo

           O dia começa normal, aquela pregiça de sair da cama, o despertador gritando na orelha às seis horas em ponto (até por que quando estamos mais cansados ele não toca, ele grita), os primeiros raios de sol já circulam pelo quarto desenhando sombras nas paredes, sombras movimentadas pelos ventos que do outro lado da rua chacoalham as folhas dos pequenos arbustos gerando uma projeção grandiosa nas paredes brancas com as tintas já manchadas pelos anos e de repente em um pulo sem medo de ser feliz você se levanta, mas antes alguns poucos segundos, está sentando à beira da cama com as mãos no rosto para se recompor de um sono pesado e um leve estralo nas costas como se o corpo precisasse se reencaixar, tendo sido desmontado no dia anterior. Levantando, dirige-se ao banheiro, onde faz as primeiras necessidades ou o famoso "xixizinho" e então já aproveita ao lavar as mãos e joga uma boa quantia de água no rosto. Esse foi o começo e também o início de um fim.

          Alguns segundos depois do banheiro já se dirige até a cozinha quando um leve mal estar acessa seu peito, aparentemente por algo comido na noite passada que era uma sexta-feira e o álcool foi um alívio para o início de um fim de semana, então você para, respira, sente que aquilo não passou de uma bobagem e mantêm-se dirigindo para a cozinha, quando ao sentir uma dor um pouco mais forte acompanhada de um mal estar maior, para de novo... dessa vez gotículas de suor aparecem em sua testa e seu corpo desequilibra, um leve formigamento no braço e as pernas bambas, sim, tudo não está realmente tão normal quanto você achava e o pior, você está sozinho(a) em casa e isso aumenta em níveis absurdos o medo do que pode estar acontecendo, mas insistentemente como sempre, tenta se manter e vai até a cozinha, coloca água na chaleira, ascende o fogão e começa o restante dos preparativos para o café matinal normal. Aqueles minutos perdidos logo ali sendo colocados como inuteis por conta da noite anterior foram preciosos, pois seriam a salvação dessa vida, mas foram esquecidos quando o cérebro forçadamente assimilou que não era nada e a vida continuou.

          A primeira hora se passou, o café foi tomado, um café forte juntamente com um pão francês feito na frigideira com manteiga, aquele pão que você aperta e a casquinha dele estrala no ouvidos juntamente com a chama de estar quente levantando e chegando até seu olfato sinta aquele cheiro que se torna gosto, aquele odor maravilhoso que representa perfeitamente o começo de mais um dia. Café da manhã tomado, dor cessada, tudo está bem, controle da TV em mãos, então, ligá-la é um procedimento normal; sentou-se à sua frente, repousou seu corpo entre duas almofadas para que o conforto fosse maior e por ali ficou. Passadas aproximadamente mais uma hora o mal estar voltou com mais força, sentindo suas veias pulsarem, um suor frio descendo na testa e pela região abdminal, acompanhados dessa vez de uma dor super forte do lado esquerdo do peito, mas dessa vez em uma proporção diferente do que foi a primeira e eliminando qualquer força para uma reação de correr ou de gitar alguém, o corpo se errijeceu, os sentidos foram-se perdendo e de repente uma forte escuridão tomou conta de tudo. Com os olhos escuros e um silêncio extremamente absurdo tomando conta de todo seu corpo, os batimentos cardíacos mais lentos eram ouvidos perfeitamente cada vez mais lentos, como uma vela chegando ao fim já toda derretida e sua chama quase apagada e a dor já fora tão grande que em breve momento sentiu seu corpo estabilizar tudo aquilo e em um piscar de olhos a chama se apagou e tudo se acabou no alento de uma dor finalizada e todos os sentidos se aliviando como se uma chave geral tivesse acabado de desligar tudo e ponto, seu corpo errijecido se soltando de tudo aquilo, como se relaxado por um instante e de repente tudo calou-se, sua vitalidade, energia, bom humor, mal humor, generosidade, arrogância... tudo não passou de um corpo no sofá estendido esperando o amanhã para que fosse encontrado ou lembrado.

          Como os minutos que aqui passamos são importantes e muitas vezes não os percebemos, os dias passam por nossa cabeça, desperdiçamos bons momentos, boas palavras, bons amigos e tudo isso pra quê? No fim das contas nem as lembranças são levadas, mas elas com certeza ficam pelas pessoas que te amaram. Se preocupe menos, sofra menos, seja mais você, não seja arrogante, prepotente, resgate aquela alma que sua mãe colocou no mundo e pegue a essência de todo o começo, para que o fim não seja uma tragédia, mas sim, um suposto recomeço, já que certeza não possuímos de nada, mas apenas resgate sua fé, afinal, o tempo pode ser seu grande aliado, se você estiver aliado com o mesmo, mas também pode ser seu grande inimigo se nem de você, você estiver sendo seu grande aliado.



                                                          Fonte imagem: https://www.bombombooks.com.br/