segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Uma nova janela para a luz do dia

          Em 28 de janeiro de 2019 minha esposa e eu tivemos uma descoberta e a mesma mudaria o rumo de nossas vidas para sempre, algo, que nos acompanhará até o fim de nossos dias, algo que vai sorrir e chorar quando sorrirmos e chorarmos, algo que vai sentir cócegas quando a fizermos, algo que é um representante do amor e doador dele também.

          Pois bem, é um menino e se chamará Caíque. A princípio um susto e nove meses depois um motivo a mais para respirar e querer viver, a princípio dúvidas e nove meses depois certezas de caminhos a trilhar, a princípio choro e nove meses depois o sorriso de faltar apenas uma semana para sua chegada. Como ele será? Chorão? Sorridente? Dorminhoco? Comilão? Qual será a tonalidade da pele? Como serão os olhos, a boca, o nariz? Será que vai ser a cara do pai ou da mãe? Será que vai ter o gênio do pai ou da mãe? Será que vai ter a cara da mãe e o gênio do pai ou o gênio da mãe e a cara do pai? Será que vai nos amar na mesma medida que já o amamos? Como será tudo de agora em diante, seria esse um começo para o fim ou o fim para um recomeço?
   
          Há exatos quatro dias para sua chegada a sensação é de prazer, ansiedade, tensão, curiosidade,dúvidas, desejos, mas todas elas da forma mais suave e perfeita que a natureza pode oferecer, afinal, é um fruto novo, que não fazemos ideia de como será além de uma experiência nova, por que a princípio não era essa a ideia, mas passou a ser e com uma imensa importância em nossas vidas. O desejo de tê-lo trás ao mesmo tempo o pensamento do mundo como está, mas os criamos para o mundo e o mundo apenas os molda dentro do que passamos por verdade. Não há como impedi-los de erros, da mesma forma como ninguém nos impede de errar. Dar a ele tudo aquilo que não tive? Ou dar a ele tudo aquilo que espero que ele seja? Como uma vida pode mudar vidas, não é mesmo? Nos dar sentido para sermos melhores, nos dar sentido de seguir em frente evitando erros e trazendo a essência do amor que muitas vezes se perde pelo caminho, pois a caminhada nos deixa exaltos, mas acredito que nada que um sorriso não possa nos revigorar. 

          O resto de nossas vidas será marcado pela incerteza dos dias, mas a partir de agora com uma única certeza... a necessidade de darmos todos os dias nosso melhor em prol de fazê-lo transmitir na forma mais honesta possível. Problemas não desaparecem, pedras nos sapatos não se desfazem fácil, mas o jeito como tudo será resolvido se reformulará, pois a postura será de um adulto, as decisões de uma família e os desafios mais apertados, porém com um objetivo para essa vitória que é o de estar alerta e defender como um leão a família que vai crescer. 
          
          E dessa maneira a vida segue seu andamento e mais uma vida segue juntamente no caminho da evolução e do amor.


domingo, 17 de fevereiro de 2019

Cabeças pensantes

          Uma amiga deu a luz e minha esposa e eu fomos visitá-la no hospital, porém o quarto só podia ter no máximo dois acompanhantes e por seu esposo também estar lá, pedi que minha esposa fosse primeiro. Nesse meio tempo me sentei na recepção para aguardar se subiria ou esperaria ela descer para irmos embora. Me sentei e comecei a perceber que naquele espaço de tamanho razoavelmente grande haviam muitas pessoas com diversas cabeças pensantes e isso me fez querer analisá-las a ponto de interpretar o que se passava em cada uma.

          A chuva caia forte e logo na chegada, vi um deficiente mental se jogando no chão na entrada próxima a recepção a ponto de não querer entrar de maneira alguma naquele ambiente e gritava muito, porém não balbuciava palavras concretas e sim, apenas um grito de desespero para não entrar ali. Com ele estavam duas mulheres, acredito que uma era a mãe e a outra uma amiga ou até mesmo uma irmã. Naquele instante elas estavam ali sem completa reação com o garoto se debatendo e o que será que passava por suas cabeças? Seria o constrangimento daquela cena, seria um pedido de socorro para um auxílio emergencial de algum enfermeiro ou segurança? Ou seria apenas mais um capítulo do que já vivem diariamente? As pessoas ao redor ali paradas  apenas observavam a cena e em seus olhares era claro o julgamento de por que aquele garoto estava agindo daquela forma, por que essa mãe não o arrasta logo para dentro? O que devemos fazer? Normalmente em ocasiões desse nível parece surgir em nossas cabeças um bloqueio, seja de medo, receio ou constrangimento de tentar ajudar e se passar pela pessoa ruim ou abusada, pois ninguém solicitou sua ajuda, porém nos olhos daquela mãe, era óbvio que o socorro seria necessário, porém sem pedi-lo, nada seria feito, foi quando um segurança apareceu com um cadeira de rodas e com muita paciência e ao mesmo tempo sangue frio conseguiu com a ajuda das mulheres tirar o garoto da chuva e aos berros entrou na recepção. Esse segurança além de pensar, também agiu, sendo que com aproximadamente dez pessoas olhando aquela cena, ninguém fez exatamente nada.

          Quando me sentei para aguardar minha esposa, vi diversas pessoas ali, cada uma com sua expressão forte, olhar atento e até olhares ao nada, mas presas em seus pensamentos deixando tudo isso claro em sua fronte. Percebi um senhor com olhar firme concentrado em um sofá vago, olhando cada detalhe, em sua cabeça parecia estar passando a aflição daquele lugar, ele aparentava estar por volta dos setenta anos e parecia que sua esposa estava ali internada; olhando bem sua feição, estava ali mas ao mesmo tempo não estava, era uma espécie de modo avião com doses de tranquilizante tentando entender aquele momento. Ao seu lado estava um rapaz por volta dos trinta e cinco anos reunido com a família, seu semblante era magnífico e pelo pouco que ouvi o mesmo acabara de se tornar pai, sua alegria era transparente e em sua mente tive a impressão de balões coloridos estarem voando como numa festa de carnaval. Mais a frente em duas poltronas vi dois senhores que aparentemente não estavam além dos cinquenta anos, pareciam estar contando piadas, pois suas faces refletiam sorrisos sarcásticos, não sei se pelo local que estavam ou se pela conversa que seguia, mas estavam tranquilos, seus rostos não passavam aflição, tristeza e nem felicidade, passavam algo ameno, neutro. Uma mulher estava sentada a minha frente e falava ao telefone com um semblante de tensão, aparentava ter cinquenta e cinco anos e sua voz era trêmula, seu olhar era constante para o chão deixando clara sua concentração naquele diálogo que seguia, e sua cabeça estava voltada apenas para aquilo como se ao seu redor não tivesse ninguém, apenas uma escuridão que a deixava sozinha com o celular grudado em seu ouvido. De repente meu celular vibrou no bolso e a mensagem dizia para subir, pois o esposo da nossa amiga tinha decido e ele iria trabalhar. Quando o encontrei na recepção pouco antes de entrar no elevador o parabenizei por aquele momento, ele estava ao telefone e notei que tentou assimilar o que eu falei da mesma forma que tentava assimilar o que estavam dizendo do outro lado da linha, pois bem, subi.

          Quando entrei no quarto me deparei com um sorriso imenso de orelha a orelha e um bebê recém nascido deitado em sua frente, minha esposa estava sentada em uma poltrona ao lado da cama. Nossa amiga me entregou o bebê para pegar no colo e sentir como era aquilo tudo. Quando o coloquei nos braços, aproximei meu rosto e pude ver o formato tão pequeno daquela boca, nariz, orelhas, olhinhos bem fechados e tudo esculpido de uma forma tão delicada que parecia quase uma boneca; fiquei um pouco espantado da perfeição daquele ser tão pequeno que ali estava e que anos a frente tomará a forma da pessoa que será pelo resto da vida. Era uma menina e dormia um sono dos deuses, com uma cabecinha serena de um cérebro que ainda estava por entender o que significava tudo aquilo e que quando finalmente entender, não se lembrará de nada que aconteceu naquelas horas que seguirão para o começo de uma nova cabecinha pensante.

Fonte Imagem: http://www.noticiasdaserra.com.br/