domingo, 22 de outubro de 2017

Bullying não é brincadeira

          Qualquer tragédia normalmente antes de acontecer é anunciada de alguma forma e é sempre nunca vista, pois vivemos em uma sociedade com tantos problemas, que nos acostumamos a lidar com situações anormais como normais, afinal as palavras assalto, sequestro, assassinato... são tão presentes em nosso dia-a-dia que acaba muita coisa passando desapercebida, afinal é algo que estamos sujeitos todos os dias.

          O caso do assassinato em Goiânia em que um aluno numa escola matou a tiros dois amigos e feriu mais três por conta de bullying chocou o país essa semana, pois como isso pode acontecer em um lugar onde pais e mães confiam com verdade a vida de seus filhos? É algo difícil de aceitar. Mas como toda tragédia, tudo tem indícios. Há quem diga que é um absurdo o raciocínio de bullying chegar em um resultado como esse, afinal a vinte ou trinta anos atrás zoávamos nossos amigos e os mesmos não viraram atiradores, porém existem casos e casos e em um ambiente que a brincadeira é aceitada por parte de quem recebe e outros casos em que a brincadeira passa dos limites e se torna perseguição. O bullying funciona como uma panela de pressão que a qualquer momento pode explodir. Mas como o atingido se sente? Os comentários a seguir não foram extraídos de nenhum documentário e sim de uma experiência pessoal vivida por anos.

          Uma brincadeira começa por alguma indefesa, seja ela física ou psicológica em que um jovem ou um grupo se une para tornar aquilo maçante a ponto de ter certeza que cada "brincadeira" está sendo destinada a você. Começa com uma série de piadas causando constrangimentos diretos, até que em certo ponto vira "humilhação pública", em que não contente com um pequeno grupo agredindo é necessário deixar claro que para ser mais engraçado, cada vez mais e mais pessoas precisam presenciar e até mesmo participar daquilo, que para eles é apenas brincadeira, mas para quem recebe é uma humilhação. Quanto mais se importa com o bullying, pior ele fica e com mais força se intensifica, pois a ideia é a não aceitação e isso torna tudo mais "engraçado". Quando era mais novo, em uma das brincadeiras que se tornavam cada vez mais maçantes fiz uma reclamação com meus pais e os mesmos foram a escola para que o aluno que as fazia parasse com isso e ele foi advertido chegando a seus pais, porém logo após isso ter acontecido, ele veio até mim e deixou claro que a situação ia piorar por causa da reclamação, então, nunca mais fiz nenhuma, porém buscava motivos para faltar às aulas e acredite, não é uma tarefa fácil aturar humilhações sempre sorrindo. Provavelmente se com isso tivesse desenvolvido um distúrbio, teria acabado com minha vida ou acabado com a vida de alguém, pois isso passava pela minha cabeça a cada dia na escola. Chegava a inventar dores de cabeça para conseguir faltar mais alguns dias e consequentemente ter um dia sem bullying, da mesma forma que pensava em tirar minha vida dia após dia por me sentir uma pessoa completamente sem valor algum.

          Digo com clareza que uma das minhas maiores alegrias de se tornar adulto foi a de se formar. Tinha amigos legais, mas os momentos ruins foram muito maiores e conhecer novas pessoas após a escola me fez bem e aprendi que a vida não era baseada apenas naquilo, porém trago até hoje traumas daquela época que provavelmente só conseguiria me livrar com tratamento, afinal ainda é mais forte que minha própria força.

          Quando passamos por isso, nos tornamos pessoas fracas, introvertidas, sem amor próprio, sem vontade de viver e com medo da vida e não, não contamos na escola o que acontece e nem em casa e não também, na escola ninguém vê e em casa dificilmente os pais percebem, aquilo se torna um segredo ruim nosso que nunca compartilhamos, pelo constrangimento que é repassar tudo que engolimos. Você pode estar lendo agora e pensando... isso é frescura, mas se nunca passou por algo do tipo ou procurou saber como realmente é, nunca vai entender o quão difícil escrever tantas coisas desabafando aquilo que provavelmente ficou preso dentro de mim por anos.

          O Bullying pode ser evitado e cabe aos pais principalmente isso, pois uma criança ou adolescente na rua pode se tornar alguém que dentro de casa é completamente diferente. Então uma dica é, converse com seu filho e não o deixe fazer com outras pessoas aquilo que ele mesmo não gostaria de receber. Humanos são falhos, mas podem ser corrigidos enquanto novos se a família tiver pulso firme. O bullying não tem graça e pode se tornar algo muito grande e desastroso dependendo da intensidade que for recebido.

Fonte: http://pergaminhosnamesa.com/tag/diga-nao-ao-bullying/

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